domingo, 19 de fevereiro de 2012

Heavy Metal: Radicalismo ou preconceito?

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O rock sempre teve a sua imagem ligada à rebeldia, à contestação e à fuga do convencional. Por estes motivos esta forma de arte se tornou num fenómeno cultural e, para muitos, um estilo de vida. Despertou a adoração de muitos mas a desconfiança e antipatia de alguns, mais conservadores da sociedade. De todos os sub-géneros do rock, há uma em especial que provoca sentimentos de amor e ódio de proporções iguais e gigantescas. Choca e indigna muitos e ao mesmo tempo angaria legiões de fãs devotos. Este é o Heavy Metal.

    A maior parte da população tem uma visão errada sobre o Heavy Metal, que foi moldada através de anos de preconceito com informações infundadas divulgadas pelos média. Para além disso, alguns admiradores e músicos do estilo, não se esforçaram para tentar mudar essa imagem, e pelo contrário, até reforçaram o imaginário popular com atitudes condenáveis. 
Quem tem contacto próximo com este género e não se deixa levar por radicalismos excessivos, sabe que a maior parte do que é mostrado nos média está bem longe da realidade. Os "metaleiros" são sempre caracterizados como indivíduos mal educados e de péssimos modos, são mostrados como pessoas limitadas intelectualmente ou, ainda, como arruaceiros, marginais e violentos. Afinal, o que há realmente de verdade sobre esses "monstros da sociedade"?

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A maior parte dos fãs do género começa a ouvir e a gostar de Heavy Metal desde muito cedo, nuam idade onde ainda não foram influenciados com a massiva propaganda de ideias erradas e pré-concebidas sobre o estilo, que, na minha opinião, é o mais sincero da música. Os fãs de metal não são apenas apreciadores da música mas vivem com ela, tornando-a numa extensão da sua vida. São fieis, não se preocupam com moda ou tendências, tendem sim a repudiá-las. Por estes motivos, muitos confundem as coisas e tendem a ter comportamentos maus, parecerem sujos, embriagarem-se diariamente e dar vexame em locais públicos para serem "headbangers". Com isto, acabam denegrindo a imagem de todos os que gostam desta música.

   É um facto que o metal nunca se privou de abordar assuntos e atitudes evitados pela opinião pública. Dentro deste contexto, temas considerados tabus sempre foram tratados com naturalidade e, algumas vezes, até com exagero pelas mais variadas bandas, até como forma de desafiar os costumes vigentes. Desde as raízes do rock mais pesado, como os Led Zeppelin mostravam-se interessados em temas como o ocultismo. Este foram provavelmente a banda que mais acusações recebeu de pacto com o diabo, que estaria implícito nas supostas e famosas "backward messages" (mensagens gravadas ao inverso em discos e que procurariam esconder citações de satanismo). Os Black Sabbath, banda que estabeleceu as principais características que delinearam o heavy metal posteriormente, também apresentava um clima sombrio em algumas de suas músicas. Grande parte das coisas assustadoras que alguns levam para o palco são apenas encenação.

   É sabido por todos que existem sub-géneros do heavy metal que apregoam e praticam o satanismo sem qualquer constrangimento e temos que respeitar as peculiaridades de cada um. Da mesma forma, há aquelas bandas que abordam temas cristãos e de paz. Alguns ditos headbangers cometem actos de estupidez e agressividade, já outros são pacíficos ao extremo. A questão é: será que é correto colocar todos os artistas e fãs de um género musical numa vala comum de preconceito e  atribuir-lhes críticas e acusações?

    Muitos associam os “metaleiros” a atitudes violentas. Talvez um leigo que veja um moshpit ou uma roda de poga fique impressionado. Todavia, onde há maior hipótese  de alguém ser vítima de uma agressão, num concerto de metal ou num estádio de futebol? Várias vezes ocorrem brigas em discotecas, contudo, não se vê a mass media associando a musica de discoteca enquanto música que incita a violência.

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   O facto é que, se há bandas que podem ser consideradas satanistas, também existe um número bem maior de seitas satânicas que nada tem a ver com o rock pesado. Da mesma forma, a violência sempre ocorreu em qualquer lugar onde houvesse uma sociedade constituída e não foi o aparecimento do heavy que a fez aumentar ou diminuir.

   O metal é um estilo repleto de clichés mas a sua maior ambição sempre foi a de ser uma forma de entretenimento, de diversão, nada além disso. Um mundo que chama às bandas de metal de alienadas ou infantis por escreverem sobre temas épicos ou de fantasia é o mesmo mundo que esgota cinemas para assistir a filmes que tratam dos mesmos assunto. E também é o mesmo que finge não saber que vários grupos também falam de história, política, comportamentos, paz e, pasmem, até de amor. Algumas bandas estão envolvidas em causas humanitárias e eventos beneficentes mas isso passa longe do que é divulgado pelos grandes veículos de comunicação. Este género musical, em termos de letras, nem é o mais contestador de todos mas acabou se tornando a antítese do ‘politicamente correto’, talvez por ser algo que jamais será domesticado ou aceitará fazer concessões para se adequar a uma imagem mais polida, socialmente aceitável e que possa servir como produto a ser vendido em larga escala.
Por isso, deve o headbanger acima de tudo ser autêntico, verdadeiro, viver e ouvir aquilo que gosta, independente do que se diga ou do que está na moda. Entretanto, não menos essencial é perceber que o limite de espaço de cada um é o espaço do outro ao lado. Não se pode exigir respeito por si próprio se, antes disso, não se dedica respeito aos outros. Quando todos aprenderem a praticar isso, já se terá percorrido boa parte do caminho para mostrar às pessoas que o medo e o preconceito para com o heavy metal sempre foram infundados.



Emanuel Ribeiro
Nº 40691
Licenciatura em Música

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