segunda-feira, 2 de julho de 2012

Cinema e Música




To me, movies and music go hand in hand. When I'm writing a script, one of the first things I do is find the music I'm going to play for the opening sequence.  Quentin Tarantino





A banda sonora é um aspeto fundamental de qualquer filme e é, normalmente, a última fase da sua pós-produção. Considerada por vários especialistas um ‘veículo transportador de emoções’, uma banda sonora diz-nos como experienciar uma determinada cena, sendo óbvia a importância desta componente para o sucesso de qualquer filme. A obra mais grandiosa pode falhar redondamente caso a sua banda sonora não esteja à altura de a acompanhar. Existem inclusive vários realizadores de cinema que afirmam construir determinadas cenas de forma às mesmas se enquadrarem com um determinado tema musical, sendo esta uma situação em que acaba por ser a própria música a conduzir o desenrolar da cena.



Nos primórdios, por impossibilidade técnica, o filme era desprovido de som (banda sonora ou diálogos), e os realizadores e espectadores pouco se importavam com isso. A interpretação dos atores era mais física e expressiva, uma vez que o som dos diálogos era inexistente.



Quando o sonoro surgiu, no filme The Jazz Singer (1927, com o ator Al Jonhson a imitar um cantor de jazz negro), houve alguma resistência por parte de grandes vultos do cinema à novidade técnica do som.



The Jazz Singer, Alan Crosland



              Os realizadores de cinema cedo se aperceberam da grande importância que a música detinha como complemento das imagens. Por isso Eisenstein trabalhou logo em 1938 com o compositor Sergei Prokofiev, que compôs a banda sonora épica do filme Alexander Nevsky, num exemplo acabado da perfeita sincronia criativa entre imagem e som. 





            Depois de Lieutenant Kijé (1934) e Pique Dame (1936), Prokofiev escreveu esta banda sonora, estando envolvido não apenas na composição como também na sua gravação. Experimentou os microfones de várias distâncias diferentes, de forma a obter o som desejado – as trompas (que representavam as Ordens Teutónicas) tocaram extremamente perto dos microfones para o som ser estridente e distorcido; os metais e os grupos corais foram gravados em estúdios diferentes, juntando-se mais tarde, numa fase final.
               O compositor utilizou diversos estilos musicais, de forma a invocar o imaginário necessário. Por exemplo, as Ordens Teutónicas (vistas como um adversário) eram representadas pelos instrumentos de metal mais graves que tocavam acordes completamente dissonantes num estilo marcial. Por sua vez, as complacentes forças russas eram predominantemente apresentadas num estilo folk, pelas madeiras e pelas cordas.
               Depois de escrever a música para o filme, Prokofiev decidiu fazer um arranjo da obra e dirigiu uma cantata para mezzo-soprano, coro e orquestra (estreada a 17 de Maio de 1939 em Moscovo). Uma vez que os elementos do filme se mantiveram, é importante, para se perceber a interação música-filme, a explicação dos seus 7 andamentos:
1.      "Russia under the Mongolian Yoke" – O andamento começa lento em Dó menor, recriando uma imagem de destruição, a qual a Rússia sofreu aquando a invasão dos Mongols.
2.      "Song about Alexander Nevsky" – Este andamento representa a vitória do Príncipe Alexander Yaroslavich sobre o exército sueco na Batalha de Neva em 1240. Alexander recebe o nome de Nevsky em forma de agradecimento.
3.      "The Crusaders in Pskov" – Para este andamento, a intenção inicial de Prokofiev era utilizar apenas música religiosa do século XIII, contudo, os exemplos que encontrou no Conservatório de Moscovo soaram frios e aborrecidos para o século XX, acabando por desistir dessa ideia. Compôs um tema original onde evocava a brutalidade das Ordens Teutónicas.
4.      "Arise, ye Russian People" – Este é um chamamento do povo russo às armas.
5.      "The Battle on the Ice" – O quinto (e maior) andamento é claramente o clímax da cantata. Representa o choque final entre as forças de Nevsky e das Ordens, numa superfície congelada do lago Peipus em 1242. O início sereno é contrastante com o chocante meio do filme, o qual é todo ele num estilo cacofónico.
6.       "The Field of the Dead" – De novo em Dó menor, este é o lamento da rapariga que procura o seu amante, e beija as pálpebras de todos os mortos em busca do seu amor. O solo é então feito pela mezzo-soprano.
7.      "Alexander's Entry into Pskov" – O sétimo e último andamento ecoa o segundo, recordando o triunfante regresso de Alexander a Pskov.
E como esta fantástica obra cinematográfica ficou guardada nas mais emblemáticas, há outras que ainda hoje são citadas com bastante frequência, dada a sua genialidade.
Há pequenos e determinados pormenores nesta arte que talvez passem despercebidos a pessoas que vejam o filme com menos atenção mas, aquilo que a música, em sintonia com um bom filme, pode fazer, é inteligente. Em The Straight Story, por exemplo, David Lynch brinca com a recordação do pobre velho ao pensar na Segunda Guerra Mundial. Vai narrando a sua história, correndo nas lembranças, mantendo a imagem fica fixa nele enquanto sons de aviões, tiros e tudo o mais começam a ser ouvidos.
                                                                                                          The Straight Story, David Lynch
É cada vez mais evidente a importância das bandas sonoras num filme ou série. É engraçado até ver que há determinadas músicas que são associadas de imediato a um filme, músicas que marcam bons momentos, boas amizades ou um amor vivido. É também para mim um enorme prazer falar sobre este assunto, como músico e apreciador de música que sou e, acima de tudo, como apaixonado pelas chamadas “músicas para filme”.


“Veja um filme em silêncio e depois veja-o outra vez com os olhos e os ouvidos. A música dá o clima para o que seus olhos vêem, guia suas emoções, é a moldura emocional para o que as imagens mostram”  David W. Griffith







A66908 - Jorge Manuel Fernandes Freitas

terça-feira, 26 de junho de 2012

A música que nasce de uma ideia exterior





A Sinfonia Fantástica Opus 14, nome oficial Episódio da Vida de um Artista, Sinfonia Fantástica em Cinco Partes (em francês Épisode de la vie d’un artiste, symphonie fantastique en cinq parties), foi a primeira sinfonia do grande compositor e músico Hector Berlioz , composta no ano de 1830. É o verdadeiro nome da obra, apresentada no dia 5 dezembro de 1830 no Conservatório de Paris, sob a batuta do maestro François-Antoine Habeneck. Esta apresentação difere da que conhecemos hoje, uma vez que Berlioz revisou o trabalho durante anos e só veio a republicá-la em 1845.

 
É o trabalho mais conhecido de Berlioz e foi criado por inspiração de sua paixão pela atriz irlandesa Harriet Smithson, após vê-la representar o papel de Ofélia na peça Hamlet, de Shakespeare, no Teatro de Paris, em 1827, e também pela leitura de Fausto, de Johann Wolfgang von Goethe. A obra é um marco na música francesa, pois inaugura o sinfonismo na França. Berlioz quebra a estrutura formal da sinfonia, formada de quatro movimentos, quando a apresenta com um movimento a mais. Berlioz redigiu um roteiro impresso em 1831 em que indicava o que o protagonista imaginava em cada movimento da obra. Para o autor, o artista, sob efeito do ópio, tem alucinações e estas são traduzidas em cinco situações indicadas através dos cinco movimentos.

 

 

 
A 11 de Setembro de 1827, em Paris, Hector Berlioz assistiu a uma representação teatral de William Shakespeare, uma das obras mais admiradas do que era o seu autor predileto. No papel da desventurada Ofélia atuava uma atriz irlandesa, Harriet Smithson, pela qual o músico se apaixonou perdidamente, ao ponto de conquistá-la, apesar de ele não falar nem uma palavra de Inglês, e ela o mesmo de francês, se ter transformado numa verdadeira obsessão. Fruto desse amor levado ao limite seria a Sinfonia Fantástica. A sua estreia a 5 de Dezembro de 1830 iria constituir uma das páginas mais recordadas da história da música ocidental. Havia apenas três anos que morrera, em Viena, o grande Ludwig van Beethoven, quando se estreou esta obra revolucionária. Levava o género sinfónico numa direção insólita, sobretudo no que respeita a uma orquestra que se converte na verdadeira protagonista, na intérprete de um drama que o compositor explicita claramente num programa literário, uma vez que não é em vão que a partitura ostenta o subtítulo “Episódios da vida de uma artista”; uma artista que sem dúvida alguma era o próprio criador. Como se dizia num programa que era distribuído à porta do Conservatório de Paris, no dia da estreia: “O objetivo do compositor foi desenvolver os aspetos musicais de diferentes situações da vida de um artista. O esquema do drama instrumental, privado da ajuda de palavras, precisa de uma exposição preliminar. O seguinte programa deve, pois, ser considerado um diálogo falante de uma obra, e serve para introduzir os números musicais e para motivar o seu caráter e expressão”. Este programa é muito simples: “um jovem músico, de uma sensibilidade doentia, envenena-se com ópio num arrebatamento de desespero amoroso. A dose da droga, demasiado pequena para o matar, mergulha-o num profundo sono acompanhado de estranhos desvaneios, em que as sensações, sentimentos e recordações se transformam, no seu cérebro doente, em imagens e ideias musicais. A própria amada aparece-lhe como uma melodia, como uma ideia fixa, uma ideia obsessiva, que ouve onde quer que vá.” A partir daí, acontece tudo o que em seguida se ouvirá.

 
O primeiro andamento intitula-se Sonhos e Paixões - ao longo dele, narram-se, sempre segundo as palavras do seu criador, “a doença da alma, o fluxo da paixão, as inenarráveis alegrias e penas que experimentaram antes de ter visto a sua amada; depois, o amor vulcânico que de repente lhe inspira, os seus êxtases delirantes, a sua fúria ciumenta, a sua persistente ternura, as suas consolações religiosas.”

 
O segundo andamento, intitulado Um Baile – “O artista, levado pelas circunstâncias mais diversas da vida, vê-se no meio do tumulto de uma festa. Mas até mesmo ali, a imagem querida vem apresentar-lhe e perturbar a sua alma.”

 
O terceiro andamento, A Cena no Campo – um maravilhoso adagio que mostra a dívida de Berlioz para com a Sinfonia “Pastoral”, de Beethoven. “Numa tarde de Verão, no campo, o artista ouve dois pastores que dialogam cantando. Este dueto pastoral, o local de cena, o ligeiro murmúrio das árvores agitadas pelo vento, um motivo de esperança que desde há pouco começou a conceber, tudo concorre para restaurar no seu coração uma calma inusitada, para dar um tom mais alegre às suas ideias; mas ela aparece de novo e o jovem sente outra vez uma forte opressão no peito; agitam-no dolorosos pressentimentos; se ela o enganasse… um dos pastores repete a ingénua melodia, mas o outro já não responde. O sol põe-se. Ao longe, ruídos dos trovões, solidão, silêncio…”

 
O quarto andamento, Marcha para o Suplício – um allegretto demoníaco que se desenvolve num implacável crescendo que constitui um perfeito catálogo das habilidades orquestrais e teatrais de Berlioz: afeitos de boca nas trompas, contrabaixos divididos, duplo par de timbales; tudo isso contribui para criar um clima de pesadelo, de horror e de loucura que culmina no aparecimento, no clarinete, da “ideia fixa”, antes de um brutal acorde de toda a orquestra, seguido do rufar da caixa e dos timbales, conceda passagem à pancada com que a guilhotina ceifa a vida do artista; mas este não morreu, no seu delírio “imagina-se agora num sabbat, no meio de uma horrível reunião de sombras, bruxas e monstros, reunidos para celebrar o seu funeral. Ruídos estranhos, gemidos, risadas, gritos distantes a que outros gritos parecem responder. A melodia amada reaparece de novo, mas perdeu o seu carater de nobreza e timidez; não é mais do que o motivo de dança ignóbil, vulgar e grotesco. É ela que vem também ao sabbat. A amada junta-se à orgia diabólica. Badaladas fúnebres, paródia burlesca do Dies irae…”

 
O quinto andamento com que termina a sinfonia – Sonho de uma Noite de Sabbat – contém o melhor e o pior do estilo do músico francês. A introdução a este andamento, por exemplo, é um quadro sonoro extraordinário (o próprio Berlioz dizia que “a instrumentação, na música, equivale exatamente às cores na pintura”). Três toques de sino preparam a entrada do tema do Dies irae, extraído da missa gregoriana de defuntos, a cargo das tubas e dos fagotes e depois dos trombones e trompas, sobre as notas arrastadas e ásperas dos contrabaixos. Segue-se a dança do sabbat, pura confusão sonora, em que Berlioz acumula audazes combinações harmónicas, inusitadas relações rítmicas, inauditas formas de tratar os instrumentos (por exemplo, o col legno das cordas, que têm de ser percutidas com a madeira dos arcos). Tudo isto até terminar numa coda que conduz a música ao paroxismo.


Flávia Oliveira - a63604

 

 

 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O Efeito da Música em Laranja Mecânica


Até que ponto a música comanda as nossas vidas?




          Desde quando é que a música influencia as nossas vidas? Desde sempre. Resta saber utilizar e manipular a música para um efeito desejado. Stanley Kubrick soube fazê-lo em A Clockwork Orange.
          Laranja Mecânica (tradução para português) é um filme de 1971 realizado por Stanley Kubrick, realizador americano (1928-1999), muito polémico na altura e que ainda hoje cria um efeito estranho nos espectadores.
        Esta obra-prima do cinema foi inspirada no romance de Anthony Burgess, escrito em 1962 e retrata a vida do jovem Alex (protagonizado por Malcolm McDowell), adolescente viciado e atraído para a ultra-violência, sexo, violação, e boa música, especialmente Ludwig van Beethoven. Em diversas partes do filme, Alex tem vontades súbitas motivadas pela música que ouve em seu redor, que vão influenciar o seu comportamento, ou pensamento (possivelmente destrutivo e obscuro), nos  minutos seguintes.
  
          Ao longo de todo o filme o espectador sente emoções fortes e distintas, porém, algumas delas não deviam ser associadas às determinadas alturas do filme que as suscitam, o que faz pensar... Na verdade, por que se haveria de sentir empatia por um vândalo que destrói, viola mulheres e espanca vagabundos? Todas as emoções que o público sente, e que provavelmente não seriam as eticamente mais aceitáveis, têm como causa, com toda a certeza, a música escolhida ao longo de toda a obra (para além do génio de Kubrick, claro!).
          
         A banda sonora original deste filme foi escolhida a dedo, tendo como faixas algumas das obras mais conhecidas do reportório da música erudita de compositores como Beethoven (nona sinfonia), Rossini (Abertura William Tell), Elgar (Pomp and Circumstance), entre outros. O resto das faixas foram compostas por Wendy Carlos (criador da banda sonora original do filme) e outras ainda foram retiradas de alguns clássicos do cinema anteriores ou simplesmente músicas antigas, contudo associadas a um género provavelmente oposto ao do Laranja Mecânica como «Singin' in the Rain» música do final dos anos 20 do séc. XX, resultando então num efeito de paródia.



          Tomemos então como exemplo a cena do filme em que Alex, que está a pensar há algum tempo, decide parar de o fazer para simplesmente mostrar aos seus parceiros quem lidera o gang, inspirado pela música que está a ouvir vinda de uma janela aberta:


        Verificamos então que a música que Rossini compôs para a sua ópera La Gazza Ladra, serve desta vez como apoio na decisão de Alex, que inspirado no seu tempo de valsa, decide bater nos seus parceiros com bastante prazer...
           

        Neste excerto, Alex e o seu bando assaltam uma casa e violam a mulher, esposa do homem que vai assistir a toda a violação com os seus olhos... A meu ver, o mais surpreendente nesta cena é a felicidade e euforia que Alex e o gang demonstram ao cometer esta atrocidade. Ao invadirem o lar deste casal, teoricamente um local de paz e segurança, estão desde logo a causar uma sensação de medo, pois já nem a própria casa é um local seguro. No entanto, o público que vê o filme não reage assim, aliás, pode até não saber como reagir ao absurdo do que está a acontecer:







          Neste terceiro vídeo, Alex ouve a 9.ª sinfonia de Beethoven (que deu origem ao hino da alegria), provavelmente a música que lhe traz à mente aquilo que é mais importante para ele. O adolescente ouve esta música como recompensa daquilo que fez na noite passada e sonha com imagens de violência e morte, tendo um prazer muito característico da personalidade da personagem Alex.






           Mais tarde "o nosso humilde narrador" é submetido a uma terapia revolucionária que acabará com as suas vontades malignas contra a sociedade. Contudo, durante uma das sessões, a música de fundo é a 9.ª de Beethoven, e de um momento para outro, a sua música favorita, que tanto prazer lhe dava, tornou-se a sua maldição, de tal forma que  tentou suicidar-se ao ouvi-la depois do tratamento a que foi submetido:



domingo, 24 de junho de 2012

Romeu e Julieta



                              Romeu e Julieta


Neste trabalho procuro mostrar a ligação entre a obra literária de William Shakespeare e as obras de arte que se lhe seguiram, tendo como base esta tragédia, intitulada de “ Romeu e Julieta”.

“Romeu e Julieta” é uma tragédia literária do famoso escritor William Shakespeare, que foi escrita nos primórdios da sua carreira literária em 1591. Retrata a vida de dois adolescentes loucamente apaixonados, cuja morte acaba por unir suas famílias, outrora em pé de guerra. Este romance trágico pertence a uma tradição de romances da antiguidade. Seu enredo baseia-se num conto italiano que foi traduzido em versos por Arthur Brooke (poeta inglês) em 1562, e retomado em prosa por William Painter (autor inglês) em 1582. Esta obra é tão especial e reconhecida mundialmente devido á habilidade dramática e maturidade artística de Shakespeare, que utilizou nesta obra efeitos como a comutação entre comédia e tragédia, ênfase nas personagens mais secundárias e a utilização se sub-enredos para embelezar a história. De todas as obras de Shakespeare, a peça dos dois amantes é um dos seus trabalhos que mais foram ilustrados. É uma das obras literárias mais utilizadas, sendo adaptada nos campos do cinema, da música e literatura.

                             







Sinopse

  
A peça abre na rua com o desentendimento entre os Montecchios, família de Romeu, e os Capuletos, família de Julieta. O Príncipe de Verona intervém e declara que irá punir com morte as pessoas que colaborarem para mais uma briga de ambas as famílias. Mais tarde, Julieta é proposta em casamento a seu pai, mas este não aceita e diz ao pretendente para esperar dois anos, pois Julieta ainda era muito nova para casar, tinha apenas 13 anos, e que realizaria uma festa balett. Após a briga, Romeu entra em depressão resultado de um amor não-correspondido por uma das sobrinhas de Capuleto. Persuadido, Romeu atende ao convite da festa que acontecerá na casa dos Capuletos em esperança de encontrar-se com a sobrinha de Capuleto. Contudo, Romeu apaixona-se perdidamente por Julieta. Após a festa, Romeu pula o muro do pátio dos Capuletos e ouve as declarações de amor de Julieta, apesar de seu ódio pelos Montecchios. Romeu e Julieta decidem casar.
Com a ajuda de Frei Lourenço - esperançoso da reconciliação das famílias através da união dos dois jovens - eles conseguem se casar secretamente no dia seguinte. Um dos primos de Julieta, Teobaldo, sentindo-se ofendido pelo facto de Romeu ter fugido da festa, desafia-o para um duelo. Romeu, que agora considera-o seu companheiro, recusa lutar com ele. Seu amigo Mercúrio sente-se incentivado a aceitar o duelo em nome de Romeu por conta de sua "calma submissão, vil e insultuosa". Durante o duelo, Mercúcio é fatalmente ferido e Romeu, irritado com a morte do amigo, prossegue o confronto e mata Teobaldo. O Príncipe decide exilar Romeu de Verona por conta do assassinato salientando que, se ele retornar, terá sua última hora. Capuleto, interpretando erroneamente a dor de Julieta, concorda em casá-la imediatamente com o Conde Paris (a quem tinha feito a promessa de casamento) e ameaça deserdá-la quando ela recusa-se a tornar-se a "alegre noiva" de Páris. Quando ela pede, em seguida, o adiantamento do casamento, a mãe rejeita-lhe. Quando escurece, Romeu, secretamente, passa toda a noite no quarto de Julieta, onde eles consumam seu casamento.

No dia seguinte, Julieta visita Frei Lourenço pedindo-lhe ajuda para escapar do casamento, e o Frei lhe oferece um pequeno frasco. O frasco, se ingerido, faz com que a pessoa durma e fique num estado semelhante a morte, em coma por "duas horas e quarenta". Com a morte aparente, os familiares pensarão que a Julieta está morta e, assim, ela não se casará indesejadamente. Por fim, Lourenço promete que enviará um mensageiro para informar Romeu, ainda em exílio, do plano que irá uni-los e, assim, fazer com que ele retorne para Verona no mesmo momento em que a jovem despertar. Na noite antes do casamento, Julieta toma o remédio e, quando descobrem que ela está "morta", colocam seu corpo na cripta da família.




A mensagem, contudo, termina sendo extraviada e Romeu pensa que Julieta realmente está morta quando o criado Baltasar lhe conta o ocorrido. Amargamente, o protagonista compra um veneno fatal de um boticário que encontra no meio do caminho e dirige-se para a cripta dos Capuletos. Por lá, ele defronta-se com a figura de Páris. Acreditando que Romeu fosse um vândalo, Páris confronta-se contra o desconhecido e, na batalha, o segundo dos dois assassina o outro. Ainda acreditando que sua amada está morta, ele bebe a poção. Julieta acaba acordando e, descobrindo a morte de Romeu, suicida-se com o punhal dele, vendo que a poção do moço não possuía mais nenhuma gota. As duas famílias e o Príncipe se encontram na tumba descobrem os três mortos. Frei Lourenço reconta a história do amor impossível dos jovens para as duas famílias que agora se reconciliam pela morte dos seus filhos. A peça termina com a elegia do Príncipe para os amantes: "Jamais história alguma houve mais dolorosa / Do que a de Julieta e a do seu Romeu."


                              





 Música

Séculos mais tarde, vários compositores escreveram obras musicais sobre esta tragédia. Pyotr llyich Tchaikovsky, compôs uma obra orquestral sobre este romance trágico, em 1869, tornando-a numa das obras mais conceituadas de toda a História da Música. É um poema sinfónico que contém uma melodia conhecida como “tema de amor”, a qual foi bastante utilizada, exemplo o filme de Nino Rota sobre esta obra literária, e pela cantora Des’ree’s na música “Kissing you”. Outros compositores escreveram também obras musicais com base nesta peça, é o caso de Prokofiev com o seu ballet “ Romeu e Julieta” (1940), a “sinfonia dramática” de Berlioz “ Roméo et Juliette” (1839), existem cerca de 24 óperas, sendo a mais conhecida a de Gonoud “ Roméo et Juliette” (1887) e até na musica contemporânea não erudita esta peça já é utilizada nos estilos musicais como o jazz, musica popular…









 Literatura e Arte

A célebre peça de Shakespeare também influenciou escritores por toda a parte do mundo, posteriores a si. Nas palavras de Harold Bloom (professor e crítico literário) Shakespeare “ inventou a fórmula pelo qual o elemento sexual ficou associado com o elemento erótico quando atravessa as sombras da morte." Esta obra serviu como base a obras muito distintas, algumas até paródias sobre esta mesma. Henry Porter, com “ As Duas Furiosas Mulheres de Abingdon” (1598), e Thomas Dekker, com “Master Constable”, parodiaram a obra original de Shakespeare na mesma época em que este a escreveu. Mais posteriormente, escreveram autores como Charles Dickens, com o romance “Nicholas Nickleby” e o Visconde de Taunay, também com um romance intitulado de “Inocência”( facto curioso, em que cada capítulo desta obra começa com citações de Goethe, Rosseau, Cervantes, Ovídio, Moliére e Walter Scott). Em Portugal Camilo Castelo Branco publicou “Amor de Perdição” em 1862. Talvez por tratar-se de uma obra pertencente ao estilo ultra romântico português, esta obra assemelha-se com a obra de Shakespeare na medida em que existem também duas famílias com desavenças, em que os protagonistas amam-se loucamente e acaba também com um fim trágico. O romance do Visconde Taunay foi publicado apenas dez anos mais tarde que a obra de Camilo Castelo Branco, e assemelha-se muito com esta obra.


                             



 Na arte a primeira ilustração desta obra julga-se que pertence a Elisha Kirkall, uma xilogravura que retrata a cena final do túmulo, cuja primeira impressão foi em 1709 numa das edições produzidas por Nicholas Rowe, das peças de William Shakespeare. Mais tarde, no séc. XVIII, a Galeria Boydell Shakespeare encomendou cinco pinturas da peça que retratassem cada um dos cinco actos.

                 


Cinema

É talvez a peça mais transportada para as estruturas cinematográficas de todos os tempos. Romeu e Julieta foi pela primeira vez gravado na era do cinema mudo por Georges Méliès, embora seu vídeo esteja perdido hoje em dia. A primeira versão cinematográfica da peça no cinema falado foi em “The Hollywood Revue of 1929”.
 Houve várias produções sobre esta peça de Shakespeare, mais as mais famosas são:
- “Romeo and Juliet” de George Cukor, é uma produção de 1936, a preto e branco, vencedor de um Óscar em 1937. Foi uma produção não muito aclamada pela crítica e pelo público, acusavam-na de um artificialismo.
- “Romeo and Juliet” de Franco Zeffirelli, uma produção de 1968, esta produção já foi melhor vista pelo público e pela crítica, o estudioso Stephen Orgel descreve este filme como “cheio de beleza e juventude, com câmaras e luzes exuberantes, que contribuíram para a impressão da energia sexual e da boa aparência da peça.”.
-“Romeu + Juliet” de Baz Lurhmann, uma produção de 1996, atraiu para si um público mais jovem devido á sua maior obscuridade em relação ao filme de Zeffirelli.
As versões de Franco Zeffirelli e de Baz Luhrmann foram as versões que mais recordes de venda alcançaram. Mais recentemente, existem filmes que são um pouco o retrato da história de amor vivida por Romeu e Julieta, mas adaptado aos dias de hoje. É o caso do filme do brasileiro Bruno Barreto, intitulado de “O casamento de Romeu e Julieta”. Retrata a história de duas famílias que eram rivais, mas porque torciam por equipas de futebol diferentes, neste caso o Palmeiras e o Corinthians. Outro filme é o filme da Disney “ High School Musical”, onde utilizam o enredo de Romeu e Julieta, este em género de musical.


     





                                        







                                                                                 Trabalho realizado por:
                                                                                 João Tiago Cunha – A65952

terça-feira, 19 de junho de 2012

A LENDA DE FAUSTO E AS SUAS APARIÇÕES NA ARTE



Temas como a natureza do homem, as influências sobrenaturais, a solidão, o jogo da vida, o individualismo, o sucesso, o sentimento de amor, a culpa, a morte, as crenças religiosas, a eternidade, o céu e o inferno, Deus e o diabo, o triunfo da vida, entre outros, estão presentes na lenda de Fausto. Baseado no Dr. Johannes Georg Faust (1480-1540), médico, mágico e alquimista alemão, Fausto é a personagem que identifica a popular lenda alemã e que Goethe tornou conhecida e alvo de interesse por diversas artes.

NA LITERATURA

A obra de Goethe catapultou Fausto para a fama no século XIX. Esta obra, um poema épico, editada em dois volumes, o primeiro e mais conhecido em1806 e o segundo em 1832. Pode resumir-se a historia nos seguintes aspetos:
O Anjo e o demónio fazem uma aposta (será que Mefistófeles consegue a alma de Fausto?). Mefistófeles (o demónio) seduz Fausto com a juventude e com o conhecimento em troca da sua alma. Fausto, que estava desiludido com os seus fracassos e ansioso por superar os conhecimentos da época, aceita a troca. Mefistófeles, com o seu poder maléfico, retira décadas de rugas ao rosto de Fausto e proporciona-lhe aventuras inimagináveis. Fausto está deliciado com a sua nova vida mas começa a ter saudades da sua terra natal, pelo que Mefistófeles o acompanha no seu regresso à cidade natal. Aí, Fausto apaixona-se por Margarida, e é ajudado pelo seu endiabrado companheiro na conquista da amada. No entanto, Mefistófeles conjura contra Fausto e revela o “caso” ao irmão de Margarida, Valentim. Valentim, encontrando-os em plena demonstração da sua paixão, ataca Fausto. Fausto defende-se e Mefistófeles, cobardemente, desfere um golpe fatal a Valentim e, maldosamente anuncia à cidade que Valentim morreu pela espada de Fausto. Antes do último suspiro, Valentim denuncia o caso da irmã com Fausto, que entretanto foge da cidade, arrastado pelo Diabo. A mãe de Margarida morre de desgosto. Margarida, esperando um filho de Fausto, depois de perder tudo, é condenada à fogueira. Fausto arrepende-se, volta à cidade, e vendo Margarida na fogueira renuncia ao pacto que fez com o senhor do inferno. Quebra-se o pacto e as rugas e cabelos brancos desgrenhados regressam a Fausto. Margarida olha para o fausto velho, reconhece-o.Fausto lança-se à fogueira onde Margarida está e libertam o seu amor.
O tema foi revisitado varias vezes e em vários estilos literários por escritores como Nikolaus Lenau, Fernando Pessoa e Thomas Mann. Este ultimo, revisitou o tema no seu livro Dr. Faustus, e a personagem principal (Fausto) é agora um compositor chamado AdrianLeverkühn, que assina o pacto demoníaco para ter um avanço na sua arte. A imagem de Adrian Leverkühn como compositor é baseado em Arnold Schoenberg e o avanço artístico não é mais do que o sistema de composição dodecafônico.


NA MÚSICA

Este tema épico tem sido explorado por vários compositores desde o êxito da obra de Goethe. Começando por Beethoven, que dispensa apresentações, até ao grupo Muse, todos se debruçaram sobre o tema e transcreveram para sons o rol de sentimentos e a acção narrativa da história. Segue-se alguns compositores/autores que fizeram um pacto com Fausto e Mefistófeles para musicar a sua história:

2. Louis Spohr, Faust 1813
3. Franz Schubert, Gretchen am Spinnrade 1814
4. Richard Wagner, Faust Overture 1840
5. Peter J von Lindpaintner, Faust Overture 1840
7. Charles Valentin Alkan, Grand Sonata 1848
8. Robert Schumann, Scenes from Goethe’s Faust 1853
9. Franz Liszt, Faust Symphony & Two Scenes from Lenau’s Faust 1854-57
10. Charles Gounod, Faust 1859
12. Arrigo Boito, Mephistopheles 1868
13. Florimond Louis Hervé, Le Petit Faust 1869
14. Pablo de Sarasate, Faust Fantasy 1874
15. Modest Mussorgsky, Mephistopheles’ Song of the Flea 1879
16. Heinrich Zöllner, Faust 1887
17. Gustav Mahler, Symphony No. 8 1906-07
18. Richard Thiele, Faust and Gretchen: A Comic Sketch
19. Ferruccio Busoni, Doktor Faust 1916-25
20. Igor Stravinsky, Soldier’s Tale 1918
21. Sergei Prokofiev, The Fiery Angel 1919-26
22. Jan Bouws,Lied van dieVlooi 19--
23. Havergal Brian, Faust 1955-56
25. Konrad Boehmer, Doktor Faustus 1983
26. Alfred Schnittke, Faust Cantata & Historia von Doktor Johann Fausten1983/1994
27. Charlie Daniels Band, The Devil Went Down to Georgia 1979
28. The Fall, Faust Banana 1986
29. Randy Newman, Faust 1993
30. Art Zoyd, Faust 1993-95

O tratamento musical dado ao tema foi evoluindo ao longo dos anos como reflexoda época musical e das suas características.O uso de dissonâncias para caracterizar o mal e o recurso a tríades perfeitas na representação do bem, são principalmente demonstradas pelos autores até ao século XX. Acordes dissonantes, temas no registo grave, ritmos fortes, passagens bruscas das dinâmicas, entre outros, são exemplos de recursos usados para representar o mal. Nada melhor que estes recursos musicais para descrever o inferno, habitualmente assumido como um lugar profundo e fechado, com lotação esgotada e com seres horrendos e mal formados. Este inferno terá sempre uma luz vermelha, uma técnica usada nas artes plásticas e no cinema para a representação do mal. A felicidade, o sorriso, a compaixão, ou seja, o bem, é sonorizada com acordes perfeitos, melodias simples, uma orquestração muito equilibrada, leveza de ritmos etc., dando a ideia de céu, de espaço sem fim, de harmonia. A cor azul, etérea, a cor do céu, é usada para representação plástica do bem. Conciliando estas duas representações, dissonância + vermelho = mal e acordes perfeitos + azul = bem, obtém-se uma ferramenta poderosíssima de comunicação, que é sobejamente utilizada no cinema e na publicidade.

NO CINEMA

Com o advento do cinema, no século passado, a épica e trágica história de Fausto adaptava-se perfeitamente ao grande ecrã. Sendo transposta quase literalmente para o cinema ou em fragmentos/ideias base, tem sido sistematicamente reproduzida até aos dias de hoje. Filmes como O Advogado do Diabo (1997), Parnassus - O Homem Que Queria Enganar o Diabo (2009) ou mesmo Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith (2005) são sucessos de bilheteira que beberam directamente ou indirectamente da fonte do Dr. Johannes Georg Faust. Faust, um filme mudo de F.W. Murnau de 1926, sua última realização em território alemão e baluarte do expressionismo, reproduziu em filme, com diferenças, a obra de Goethe. Nos seguintes excertos, tentou-se expressar musicalmente a narrativa do filme (Faust), através de algumas composições dos autores supramencionados. 


Este video retrata o primeiro encontro e a sedução de Mefistófeles com Fausto. A música é de Henri Pousser, Votre Faust.


Fausto (depois de ficar novo e viver as aventuras inimagináveis) fica com saudades de casa.
Liszt acompanha com a sua Sinfonia Fausto. 

Não só a literatura, a música e a sétima arte usaram esta epopeia sobrenatural. Assim fica uma lista de obras, em todas as expressões artísticas, em que o tema era Fausto, nalguns de uma forma clara e óbvia e outros a exigirem atenção redobrada para descobrir Onde Está O Fausto.

Paulo Jorge Miranda Araújo
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Fontes documentais:
Corder, F.(1886).The Faust Legend, and Its Musical Treatment by Composers: 
The Musical Times and Singing Class Circular, Vol 27
Roos, Dorette Maria (2010), "The Faust legend and its musical manifestations: A historical overview", Tese de mestrado em Música. Matieland, South Africa: Stellenbosch University