segunda-feira, 18 de junho de 2012

O uso de músicas mais famosas em publicidade, no âmbito da música erudita

 



O objetivo da publicidade é chamar a atenção do público para qualquer produto que está para ser lançado ou que já está no mercado, de forma que os consumidores o adquiram. O seguinte trabalho tem como estudo três publicidades, que têm como base músicas eruditas.
A primeira publicidade é sobre um computador touch e que tem como base uma parte do “Verão” das Quatro Estações de Vivaldi. Esta é uma das composições de Vivaldi mais conhecidas, mesmo por leigos, e que pelo ser caracter orquestral intenso demonstra confiança e liberdade. Confiança da compra do produto, como também a libertação dos computadores que não são portáteis, podendo levá-los para qualquer lado sem quaisquer problemas de manuseamento. (Ver em anexo 1º vídeo).
A segunda publicidade tem como produto um carro da marca Audi. A publicidade em si é muito caricata, tendo como base uma Toccata de Mozart muito aclamada, mas que está a ser tocada por garrafas de vidro com água. Paralelamente com a música, o carro vai andando a uma velocidade normal, e quando a música fica num andamento mais rápido, o carro também anda a uma velocidade maior, passando obstáculos quando os triolos acontecem, até que, chegando a um climax, o carro tem que parar porque tem uma pequena garrafa de vidro na estrada, terminando aí a sua viagem. Deste modo, o carro transmite uma segurança em casos de perigo, como também controlo absoluto, que por outro lado, é o que transmite a música de Mozart, uma série de obstáculos contornáveis, com partes mais técnicas e rápidas, que necessitam de estar seguras e outras mais serenas e relaxadas, que são mais confortáveis. (Ver em anexo 2º vídeo).
A terceira publicidade, e de longe a mais sensibilizadora tem como fundo o Cannon de Pachelbel. Esta é sobre o champô Pantene, mas tem uma história. Retrata a vida de uma menina surda que aprende violino e que vence todas as dificuldades, fazendo um concerto no final de tudo. Penso que o uso da música foi muito bem escolhido, pois o Cannon é uma das mais belas melodias que existem, e que ajudam a tocar no nosso lado mais profundo, conseguindo acompanhar a vida da jovem com alguma empatia. (Ver em anexo 3º vídeo).
Em conclusão, as músicas das publicidades são dificilmente escolhidas tendo em conta o conteúdo da publicidade, como também têm cuidado com as escolhas, pois as mais conhecidas chamam mais a atenção e transmitem afinidade, levando os consumidores a ficarem expectantes sobre o produto, indo talvez mais tarde a adquiri-los.

Trabalho Elaborado por:
Natália Machado – A66083
Licenciatura em Música


Homogeneidade do Romantismo nas Artes


 O Romantismo foi um movimento artístico e filosófico que teve origem no final do século XVIII, permanecendo por quase todo o século XIX na Europa.

Representou mudanças no plano individual, destacando a personalidade, a sensibilidade, a emoção e os valores interiores, caracterizando uma visão de mundo contrária ao racionalismo, que marcou o período neoclássico e buscou um nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa.

A busca pelo exótico, pelo inóspito e pelo selvagem formaria outra característica fundamental do Romantismo. Exaltavam-se as sensações extremas, os paraísos artificiais, a natureza em seu aspecto mais bruto. Lançar-se em "aventuras" ao embarcar em navios com destino aos pólos, por exemplo, tornou-se uma forma de inspiração para alguns artistas. 

O pintor Inglês William Turner reflectiu este espírito em obras como “Mar em tempestade” onde o retrato de um fenómeno da Natureza é usado como forma de atingir os sentimentos supracitados.

As primeiras manifestações românticas na pintura ocorreram quando Francisco Goya passa a pintar depois de começar a perder a audição. Um quadro de temática neoclássica como Saturno devorando seus filhos, por exemplo, apresenta uma série de emoções para o espectador que o fazem sentir inseguro e angustiado. Goya cria um jogo de luz-e-sombra, linhas de composição diagonais e pinceladas "grosseiras" de forma a acentuar a situação dramática representada.

O Francês Eugène Delacroix é considerado um pintor romântico por excelência. Sua tela A Liberdade guiando o povo reúne o vigor e o ideal românticos em uma obra que se estrutura em um turbilhão de formas. O tema é ‘os revolucionários de 1830 guiados pelo espírito da Liberdade’ (retratados por uma mulher carregando a bandeira da França). O artista coloca-se metaforicamente como um revolucionário ao se retratar em um personagem da turba, apesar de olhar com uma certa reserva para os acontecimentos (reflectindo a influência burguesa no romantismo).

O Romantismo surge na literatura quando os escritores trocam o mecenato aristocrático pelo editor, precisando assim cativar um público leitor. Esse público estará entre os pequenos burgueses, que não estavam ligados aos valores literários clássicos e, por isso, apreciariam mais a emoção do que a subtileza das formas do período anterior.
Foi através da poesia lírica que o romantismo ganhou formato na literatura dos séculos XVIII e XIX. Os poetas românticos usavam e abusavam das metáforas, palavras estrangeiras, frases directas e comparações. Os principais temas abordados eram: amores platónicos, acontecimentos históricos nacionais, a morte e seus mistérios. As principais obras românticas são: Cantos e Inocência do poeta inglês William Blake, Os Sofrimentos do Jovem Werther e Fausto do alemão Goethe, Baladas Líricas do inglês William Wordsworth e diversas poesias de Lord Byron. Na França, destaca-se Os Miseráveis de Victor Hugo e Os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas.
Na Dramaturgia o romantismo manifesta-se valorizando a religiosidade, o individualismo, o quotidiano, a subjectividade e a obra de William Shakespeare. Os dois dramaturgos mais conhecidos desta época foram Goethe e Friedrich von Schiller. Victor Hugo também merece destaque, pois levou várias inovações ao teatro. Em Portugal, podemos destacar o teatro de Almeida Garrett.
Na Música ocorre a valorização da liberdade de expressão, das emoções e a utilização de todos os recursos da orquestra. Os assuntos de cunho popular, folclórico e nacionalista ganham importância nas músicas.
As primeiras evidências do romantismo na música aparecem com Beethoven. Suas sinfonias, a partir da terceira sinfonia, revelam uma música com temática profundamente pessoal e interiorizada, assim como algumas de suas sonatas para piano também, entre as quais é possível citar a Sonata Patética. Outros compositores como Chopin, Tchaikovsky, Felix Mendelssohn, Liszt, Grieg e Brahms levaram ainda mais adiante o ideal romântico de Beethoven, deixando o rigor formal do Classicismo para escreverem músicas mais de acordo com suas emoções.
A Arquitectura do romantismo foi marcada por elementos contraditórios, fazendo dessa forma de expressão algo menos expressivo.
Entre os arquitectos mais reconhecidos desse período destacam-se Garnier, responsável pelo teatro da Ópera de Paris; Barry e Puguin, que reconstruíram o Parlamento de Londres; e Waesemann, na Alemanha, responsável pelo distrito neogótico de Berlim. Na Espanha deu-se um renascimento curioso da arte mudéjar na construção de conventos e igrejas, e na Inglaterra surgiu o chamado neogótico hindu.
Em suma, a arte romântica demonstrou grande importância, mesmo que indirectamente, em todas as vertentes artísticas, sendo possível observar até hoje características de seu movimento nas pinturas, na literatura, e até mesmo no pensamento colectivo, na difusão de suas ideias, e enfim, na arte de viver.







                                                                                                                                José Pereira
                                                                                                                                 a65968  

















As Quatro Estaçõe de Vivaldi, os seus Sonetos, e as pinturas de Marco Ricci

As Quatro Estaçõe de Vivaldi, os seus Sonetos, e as pinturas de Marco Ricci

   
Antonio Vivaldi
    Antonio Vivaldi, nasce em Veneza a 4 de Março de 1678 e morre em Viena a 28 de julho de 1741. Considerado um dos maiores músicos do período barroco, compôs cerca de 770 obras, entre as quais 477 concertos e 46 óperas. É conhecido popularmente como autor dos concertos para violino e orquestra “Le quattro stagioni”.

        Vivaldi foi muito mais do que um compositor barroco. Gostava de criar músicas com efeitos brilhantes: saltos largos de um registo para o outro, tentativas de descrever os fenômenos naturais como tempestades, vento e chuva; convida aves simulados; contrastes dramáticos de altas e suaves, ou de conjunto completo contra um instrumento de solo, e escalas que com “zoom” cima e para baixo como uma montanha russa. Ele viveu uma época em que as pessoas queriam ouvir apenas a música mais recente.

        Hoje, Vivaldi é recordado principalmente para o grande número de concertos para violino que ele escreveu (mais de 200). Mas, mesmo número que parece pequeno quando comparado com o total que ele escreveu para todos os instrumentos (cerca de 500), inclusice para bandolim, viola d´arco, oboé, flauta, fagote, violoncelo, trompa, flauta e trompete. Mas sem dúvida nenhuma que é nas “Quatro Estações” para concertos de violino que Vivaldi é reconhecido e relembrado.


As Quatro Estações:


        As Quatro Estações são um conjunto de quatro concertos para violino escritas por volta de 1720. Cada “estação” é uma obra em três movimentos que duram cerca de dez minutos.
Em ambas estas obras, encontramos simples e melódicas melodias, retratando o cantar, assobiar. Retratando principalmente chilros de animais, trazendo alegria e nitidez ou até tristeza e melancolia, mas sempre de forma simples e eficaz. O seu ritmo (andamento) varia tanto tanto de forma inesperada como de uma simples resolução. Baseando-se sempre no desejo do compositor ao retratar as “estações”.



Sonetos:

        Vivaldi também escreveu um soneto para descrever cada estação. O Soneto é uma espécie de poema complicado de se estruturar. Tem que ter um certo número de batidas em cada linha, um esquema de rimas específico e deve ter exactamente catorze versos. É o tipo de poema de um poeta talentoso que iria publicar a demonstrar o domínio da sua arte. E principalmente para integrar o contexto da sua obra musical.

Primavera

1º andamento
A primavera chegou
Os pássaros celebram a sua chegada com canções festivas
e riachos murmurantes são docemente afagados pela brisa
Relâmpagos, esses que anunciam a Primavera,
rugem, projectando o seu negro manto no céu,
para depois se desfazerem em silêncio
e os pássaros mais uma vez retomam as suas encantadoras canções.

2º andamento
No prado cheio de flores com ramos cheios de folhas
os rebanhos de cabras dormem e o fiel cão do pastor dorme a seu lado.

3º andamento
Levados pelo som festivo de rústicas gaitas de foles,
ninfas e pastores dançam levemente sobre a brilhante festa da Primavera.

Verão

1º Andamento
Sobre uma estação dura
de um sol escaldante o homem descansa,
descansa o rebanho e queima o pinheiro
Ouvimos a voz do cuco;
ouvem-se então as canções doces da pomba
Doces aragens agitam o ar ...
Mas os ventos ameaçadores de norte subitamente aparecem
o pastor treme temendo a violenta tempestade e o seu destino.

2º Andamento

O medo dos relâmpagos e ferozes trovões
roubam o descanso aos seus membros cansados
As moscas voam zumbindo furiosamente

3º Andamento

Infelizmente os seus receios estavam justificados
os trovões rugem e majestosamente cortam o milho e estragam o grão.

Outono

1º Andamento

O camponês celebra com canções e danças
a felicidade de uma boa colheita.
Instigado pelo licor de Bacus,
muitos acabam a festa dormindo.

2º Andamento

Todos esquecem as suas preocupações e cantam e dançam
O ar está temperado com prazer e
pela estação que convida tantos, tantos
a saírem do seu recobro para participarem e se divertirem.

3º Andamento

Os caçadores aparecem com a madrugada
com trompetes e cães e espingardas começando a sua caçada
A caça foge e eles seguem o seu rasto
Aterrorizada e cansada de tanto ruído
de espingardas e cães, a caça, ferida, morre.

Inverno

1º Andamento

Tremendo de frio, no meio de cortantes ventos
os dentes tremem de frio.

2º Andamento

Descansa contente na sala
enquanto os que estão fora são atingidos pela chuva que não para.

3º Andamento

Andamos com cuidado no caminho gelado com medo de escorregar e cair
depois voltamos abruptamente e com cuidado, mas caímos no chão e
atravessamos o gelo enquanto não se quebra
voltamos a sentir o cortante vento norte apesar das portas fechadas
isto é o inverno que não obstante tem as suas delícias.


Pinturas de Marco Ricci:

        As Quatro Estações foram inspiradas por quadros das estações do artista Marco Ricci. Ao ouvir as Quatro Estações de Vivalde, pode-se desfrutar da música conhecendo os seus retratos pictóricos. As “estações” tinham a intenção de ser um acréscimo a formas de arte da pintura e poesia. Que por um lado, estas não podendo realçar todas as sensações humanas, mas que na música já se podem encontrar, e bem nítidas.






















João Luís Rodrigues Ramos
Nº 65958

Quadros de uma Exposição

Este trabalho surge no âmbito da disciplina de Sociologia da arte, da licenciatura em música da universidade do Minho. Tem como principal propósito, mostrar a forte interinfluência entre a música e a pintura, e  estimular uma reflexão sobre como a aproximação das duas artes,  através da procura de analogias, de estabelecimento de equivalências entre o acústico e o visual, leva a uma convergência de tal maneira íntima entre si.
A escolha do tema, surge no seguimento de estar a trabalhar a obra “Quadros de uma exposição” de Mussorgsky, na disciplina de música de câmara, e considerar fenomenal o encontro entre as duas artes, nesta obra.

Quadros de uma exposição é uma suite para piano, composta por Modest  Petrovich Mussorgsky (1839-1881) em Junho de 1874. Ao visitar uma exposição póstuma de seu grande amigo, o pintor e arquitecto Viktor Hartmann  falecido em 1873 aos 39 anos vítima de aneurisma cerebral, Mussorgsky resolveu prestar uma homenagem ao seu amigo e escolheu dez das telas expostas numa galeria em São Petersburgo como inspiração. Compôs uma música para cada um dos quadros, interligando  por  meio de um tema central e quatro intermezzi (variações sobre a mesma melodia) aos quais deu o nome de Promenade:  “passeio”, que representa o trajecto dos visitantes pela mostra.
File:Viktor Gartman.jpgFile:Modest Musorgskiy, 1870.jpg
                                    Viktor Hartmann (1834-1873)          Modest Petrovich Mussorgsky (1839-1881)                       
Quadros de uma exposição descreve, em metáforas, através das notas do piano um passeio pela exposição de quadros, tendo os temas como guia.
A obra, explora a corrente folclórica russa e o estilo de piano é inovador em sua austeridade e ausência de tessitura. Composta numa época em que o piano era explorado como instrumento virtuosístico, permaneceu praticamente ignorada por vários anos. Mais tarde alguns compositores, nomeadamente Claude Debussy (admirador  confesso de Mussorgsky) dedicou-se ao estudo desta suíte.  Apresenta um carácter singular, sendo uma das mais originais criações que o romantismo deu a este instrumento.
Juntamente com Debussy, em muito contribuiu para a consagração da obra e popularidade  póstuma de Mussorgsky, o apoio de outro russo, o maestro Sergei Koussevitzky. Koussevitzky, encomendou ao francês Maurice Ravel uma nova orquestração para a obra, que em 1922 faz uma transposição exacta do espírito da obra, com total fidelidade à partitura original, aliando à profundidade criadora de Mussorgsky a genialidade orquestradora, sobejamente reconhecida, de MauriceRavel.

As obras artísticas, sobreviventes, de Hartmann que foram  usadas, por Mussorgsky como inspiração na montagem da sua suite, seus andamentos e links para audição :
            A obra estrutura-se da seguinte forma:
  1. ”Promenade” – Introdução – Allegro giusto, nel modo russico, senza allegrezza, ma poco sostenuto.
            http://www.youtube.com/watch?v=QaH0A_E_bRw   
  1. ”Gnomus” (Gnomo) – Sempre Vivo.
A figura ameaçadora de Chemomor fornece ecos distantes do The Gnome, primeira “foto” Mussorgsky da suite. “Design” original de Hartmann, há muito que desapareceu.
                                                                                                 

  1. ”Promenade” – Moderato comodo assai e con delicatezza.


  1. ”Il Vecchio Castello” (O Castelo Medieval) – Andante molto cantabile e con dolore.
Este andamento foi inspirado tendo como base uma representação de um castelo italiano.

  1. ”Promenade” – Moderato non tanto, pesante.
  1. ”Tuileries” (Tulherias) – Allegretto non troppo, cappricioso.
Imagens de Hartmann, o “Jardin des Tuileries”, perto do Louvre, em Paris. Crianças a discutir e a brincar no jardim foram provavelmente adicionadas pelo artista.

  1. ”Bydlo” (Carro de Bois) – Sempre moderato, pensante.
Comentário de Stasov: "Um carrinho polonês de enormes rodas, puxadas por bois."

  1. ”Promenade” – Tranquillo.

  1. ”Ballet des Petits Poussins dans leurs Coques” – Schernizo.
Hartmann desenhou 17 trajes e cenografia para o balé Trilby, quatro dos quais subsistem.
  1. Two Jews, one rich and the other poor -”Samuel Goldenberg et Schmuyle” – Andante grave, energico.
Mostram "um judeu rico, vestindo um chapéu de pele: Sandomir" e "pobre Sandomir judeu". Este foi um andamento na suíte que o compositor não deu um  título e por algum tempo, era conhecido apenas como "dois judeus poloneses". Hartmann aparentemente tinha feito outro desenho intitulado Samuel Goldenburg e Schmuyle. Especula-se que o compositor amigo e patrono Vladimir Stassov  por  enganado,  colocou  este quadro como inspiração para o andamento e deu o nome após a morte de Mussorgsky.
  1. ”Promenade” – Allegro giusto, nel modo russico, poco sostenuto.

  1. ”Limoges, Le Marché” (O Mercado em Limoges) - Allegretto vivo, sempre scherzando.
Limoges é uma cidade da França central.Mussorgsky originalmente descreveu uma discussão no mercado…


  1. ”Catacombs, Sepulcrum Romanum” (Catacumbas, Sepulcro Romano) – Largo.
Este é um auto-retrato do autor nas catacumbas romanas sob as ruas de Paris. No catálogo da exposição lê-se: “interior das catacumbas de Paris, com figuras de Hartmann, o arquitecto Kenel e o guia com uma lâmpada.”


  1. "Cum Mortuis in Língua Mortua" (Com os Mortos em Língua Morta) - Andante non troppo, com lamento.
  1. ”La Cabane de Baba-Yaga sur de Pattes de Poule” (A Cabana de Baba-Yaga sobre Patas de Galinha) – Allegro com brio, feroce. Andante mosso. Allegro molto.
Design de Hartmann para um relógio de bronze, a morada da feiticeira Baba Yaga.


  1. ”La Grande Porte de Kiev” (A Grande Porta de Kiev) – Allegro alla breve. Maestoso. Con grandezza.

A grande porta de kiev, um dos exemplos mais conseguidos do programatismo musical, ao retratar com tanta precisão a magnificência de uma construção arquitectónica.
                       http://www.youtube.com/watch?v=uM-ZpfwZMps


Link para um exemplo da orquestração de Maurice Ravel de “Os quadros de uma Exposição”.  http://www.youtube.com/watch?v=JSc6y4nLTyE
O presente trabalho pretendeu, de certa forma, apresentar duas artes reunidas, a  correspondência entre dois sentidos, a visão e o som. Uma interinfluência entre a música e pintura.
  
Bibliografia:
ENCICLOPÉDIA SALVAT DOS GRANDES COMPOSITORES. Volume 4/5: Publicações Alfa, 1983
SADIE, Stanley - The new grove dictionary of music and musicians. Volume 12: Macnillan Publishers Limited, 1980

Alberto José Rocha Barros – A66254

Literatura na Escultura

Escultura
A Escultura é uma forma de expressão artística que remonta aos nossos mais antigos antepassados. Os mais antigos objectos conhecidos datam de cerca de 30.000 anos a.C. Eram na maior parte figuras femininas (Vénus), ligadas ao culto da fertilidade. Só no Egipto Antigo é que se fazem esculturas com vista à representação de personagens, foram inseridas em monumentos fúnebres (pirâmides), ligadas também à religião politeísta que professavam (tinham crença em mais do que um deus, tinham deuses ligados a várias causas, por exemplo, Amon-Rá era o deus do sol). Nesta altura há uma grande aplicação da técnica do relevo.
Posteriormente, na Antiguidade Clássica, esta arte sofreu um desenvolvimento significativo. Primeiramente na Grécia Antiga e só depois na Roma Antiga. Na Grécia (a partir do século V a.C.), usam-se outros materiais, como o bronze, há uma tentativa de idealização das figuras representadas (normalmente seres humanos), mas sempre fiel ao naturalismo. Há um grande sentido de harmonia, equilíbrio e de movimento transmitido nas obras. A Roma Antiga é fortemente influenciada pela cultura Grega. A escultura é incutida na arquitectura, com baixos-relevos, em edifícios comemorativos, como arcos do triunfo. Pela primeira vez a arte estava ao serviço do poder do imperador, que mandava construir diversas obras como manifestação da sua grandiosidade, como por exemplo, o Imperador Octaviano César Augusto. Há um forte incremento desta arte pela Europa e pela região Mediterrânica. Na representação de figuras humanas, o realismo das feições ganha espaço, em detrimento dos cânones Clássicos, que procuravam a perfeição e a harmonia.
No período Gótico e Românico, a escultura adquire uma função puramente ornamental, na arquitectura, principalmente ligada a templos religiosos, dado que se vivia numa sociedade marcadamente teocêntrica (as causas dos fenómenos eram atribuídas a Deus).
Na época do Renascimento (século XV/XVI), há em Itália um desenvolvimento de todas as formas de arte. Há uma recuperação do estilo artístico da Antiguidade Clássica, e é neste período que surgem os nomes mais sonantes desta arte, como Miguel Ângelo, que eram patrocinados pela família Médicis, que foram os primeiros a exercer o mecenato das artes.
Os períodos Barroco e Rococó eram caracterizados por um certo exagero nos elementos decorativos, uma exaltação e ostentação da riqueza existente. Os principais centros da escultura eram Roma (Bernini), Paris (Girardon) e Baviera (irmãos Assam).
O neoclassicismo surge como uma recuperação da Antiguidade Clássica, e teve em Canova o seu representante máximo.
O século XIX surge como a afirmação da França no contexto artístico e cultural da Europa. Teve em Rodin o seu expoente máximo, cuja obra ficou para a posteridade como uma das mais emblemáticas de todos os tempos, juntamente com Miguel Angelo e Bernini.
Em Portugal, no século XX, surge o movimento modernista. A primeira década do século ficou marcada pelo gosto naturalista, tendo o expoente máximo António Teixeira Lopes (1866-1942). O Mestre, como era conhecido, ficou conhecido como a grande figura da escultura do país neste século, apesar da emergência, ainda que tímida, de alguns escultores modernistas, como Diogo de Macedo, Francisco Franco e Ernesto Canto da Maia. 

Literatura
A Literatura é a expressão de realidades, sentimentos, histórias por via da escrita. Qualquer facto pode ser escrito, tudo pode ser transformado em literatura.
A história da literatura é um campo muito vasto e alargado. A origem da literatura é muito remota, pode ter a sua génese nos nossos antepassados primitivos, com as representações que faziam nas paredes das cavernas, as pinturas rupestres, tentavam deixar o registo de caçadas que faziam e um pouco da sua vida quotidiana, que contribuiu em muito para o conhecimento que temos hoje dessa época. No Egipto Antigo, também faziam representações e pretendiam deixar mensagens, através dos hieróglifos.
Segue-se uma sucinta cronologia[1] sobre os acontecimentos literários mais importantes, desde Homero até ao século XXI:

·         Século VII a.C.: Composição da Ilíada e da Odisseia
·         Século V a.C.: Tragédia Clássica (Sófocles, Ésquilo)
·         Século I a.C.: Eneida, poema épico de Virgílio                      
·         Século IX d.C.: Literatura Provençal
·         1308: Divina Comédia, de Dante
·         1327: Il Canzioniere, Petrarca
·         1323: Decâmeron, de Boccaccio
·         1532-1534: Pantagruel e Gargântua, de Rabelais
·         1562: Publicação da Compilação de Gil Vicente
·         1572: Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões
·         1600: William Shakespeare começa a escrever as suas maiores obras a partir desta data
·         1605: D. Quixote de la mancha, de Cervantes
·         1613: Soledades, de Gôngora
·         1654: Sermão de Santo António aos Peixes, pregado pelo Padre António Vieira
·         1674: Arte Poética, de Boileau, onde se estabilizam os grandes princípios do Neoclassicismo
·         1677: Fedra, de Racine
·         1719: Robinson Crusoe, de Daniel Defoe
·         1770: Movimento Strum und Drang, na Alemanha
·         1775: Obra de Jane Austen ganha visibilidade
·         1845: Flores Sem Fruto, de Almeida Garrett
·         1851: Moby-Dick, de Herman Melville
·         1855: Walt Whitman revoluciona a poesia, com os versos livres em Leaves of Grass
·         1857: Madame Bovary, de Gustave Flaubert
·         1865: Guerra e Paz, de Leão Tolstoi
·         1885: Germinal, de Émile Zola
·         1888: Os Maias, de Eça de Queirós
·         1914: Em Busca do Tempo Perdido, de Proust
·         1914: Revista Orpheu em Portugal
·         1916: Metamorfose, de Kafka
·         1922: Ulisses, de James Joyce
·         1940: Cadernos de Poesia, de Sophia de Mello Breyner Andresen
·         1953: O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway
·         1958: Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado
·         1967: Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Márquez
·         1998: José Saramago ganha Prémio Nobel
·         2000: Comemoração do centenário da morte de António Nobre
·         2001: Prémio Camões é atribuído a Eugénio de Andrade


[1] Elaborada com base em: Literatura. In Diciopédia Porto Editora, 2007 

Relação entre a Literatura e Escultura
Ø  António Teixeira Lopes
Autor da escultura que vamos analisar, Monumento a Eça de Queirós, nasceu em 1866, em Vila Nova de Gaia, cidade onde veio a perecer em 1942. Foi discípulo de Soares dos Reis, que foi seu professor, estudou em Paris e deu aulas na Escola de Belas-Artes do Porto.
Retrata temas históricos e religiosos, trabalhou preferencialmente em barro, mármore e bronze.
Das suas obras destacam-se o Monumento a Eça de Queirós, estátua de Bento Gonçalves, busto de Teófilo Braga, Ramalho Ortigão e da Rainha D. Amélia, estátua do seu Mestre Soares dos Reis, A Infância de Caim, A Viúva e A História.




Ø  José Maria Eça de Queirós

Autor da epígrafe em que se baseia a escultura em que nos vamos debruçar, nasceu em 1845, na Póvoa de Varzim, e morreu em 1900 em Paris. Eça revolucionou a literatura em Portugal, é considerado “um dos dois ou três grandes artistas que mais modelaram a língua portuguesa”[1], foi o principal escritor realista. Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, onde conviveu com muitos representantes da posterior Geração de 70, e participou activamente na Questão Coimbrã (1865-66). Adere às correntes ideológicas em voga na época: Positivismo (procura do estado positivo do conhecimento, em que o ser humano se limita a observar os factos e partir daí formular leis, tendo como principal figura Auguste Comte), Socialismo (teve como expoente Karl Marx e Friedrich Engels, baseava-se na luta de classes para conseguir alterações na sociedade industrial do século XIX e na recusa do capitalismo) e Realismo-Naturalismo (“O Realismo é a anatomia do carácter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos para condenar o que houver de mau na nossa sociedade”[2]. Já o Naturalismo prende-se com o Realismo, na medida em que se pintam as coisas no ambiente natural e tal como elas são). As suas principais obras são: O Primo Basílio, O Crime do Padre Amaro, A Relíquia, Os Maias, Contos, A Cidade e as Serras, O Mandarim, A Ilustre Casa de Ramires, entre outras.


[1] A.J. Saraiva e Óscar Lopes, História da Literatura Portuguesa, 17ª ed., Porto Editora.
[2] Excerto de alguns princípios enunciados por Eça de Queirós, N’As Conferências do Casino Lisbonense, de título “O Realismo como nova expressão da arte”. 



Monumento a Eça de Queirós, de António Teixeira Lopes (1903) 


Esta obra é o reflexo da união entre artes aparentemente distintas, neste caso a literatura e a escultura. Numa análise inicial, esta relação não parece evidente, mas a verdade é que na base da estátua encontramos uma célebre frase do escritor Eça de Queirós, representado na escultura, que serviu de epígrafe a uma obra sua, A Relíquia: Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáphano da phantasia.
Esta obra tem uma forte influência da corrente Naturalista e Realista, daí representar o nu tal como ele é. O Romantismo, por outro lado, também está presente na obra, devido a algum sentimento evidenciado através da posição dos braços da figura feminina, da forma como se curva para trás, podendo simbolizar a entrega. É de salientar o drapeado muito usado nas esculturas da Antiguidade Clássica, que nos dá a ideia de algum requinte inerente ao corpo nu, contribuindo para enfatizar o sentimento presente.
Analisando a forma como a epígrafe d’A Relíquia está patente na obra, para além da própria inscrição, podemos afirmar que a figura masculina é Eça de Queirós e a figura feminina a verdade de que trata a frase.
A epígrafe é uma miscelânea de Racionalismo e Romantismo. Está patente o Racionalismo e Realismo quando se fala na “nudez forte da verdade”, uma metáfora que traduz a verdade, no sentido em que esta é a realidade, aquilo que efectivamente existe no mundo. Uma pessoa vestida não está a corresponder à verdade, porque não é assim que ela é na realidade. A “verdade” está representada na estátua na figura da mulher e da nudez. Há uma divisão entre a nudez (verdade) e a fantasia (“manto diáfano”, representado pelo véu). O véu, na estátua não deixa ver a nudez total, mas deixa transparecer um pouco ao imaginário de cada um. Estamos assim perante o Romantismo, que nos remete nesta obra a um certo dramatismo. Assim, estamos perante a união perfeita entre o Racionalismo e o Romantismo, a prova que dois estilos de arte diferentes não se anulam entre si, da mesma maneira que dois tipos de arte distintos podem estar perfeitamente conjugados na mesma obra.


Trabalho Realizado por

André Pires Morais da Costa

1º Ano – Curso de Música

Número 63624

Sociologia da Arte - Universidade do Minho